sábado, 9 de março de 2013

A Crise do VFX.

A magia é verde


Um dos mais novos movimentos que assolam as redes sociais é o fenômeno das imagens de perfis na cor verde-limão. Vamos entender seu significado aqui, na mais nova categoria de leitura do Sabotagem Literária: o Sextas de Conteúdo (o título assemelha-se a fonética da frase "Cestas de Conteúdo"), onde os autores do blog podem comentar algum fato ocorrido na mídia nacional ou internacional durante e "desfragmentá-lo", para que possam apresentar suas opiniões acerca do assunto e o quanto descobriram sobre ele e o impacto que isso terá em seu cotidiano. Esperamos que, por meio desta coluna, possamos tornar a leitura não apenas enriquecedora no quesito ficcional, como também no social e intelectual. De antemão, peço perdão quanto ao tamanho da postagem, pois eu geralmente vou bem fundo quando o assunto é Cinema.

A algumas semanas antes da grande entrega dos Academy Awards ™,  a empresa Rythm & Hues, responsável por todos os efeitos visuais do filme As Aventuras de Pi (Life of Pi, 2012), assim como Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Huntsman, 2012) e Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012) declarou falência, apesar da bilheteria de seu último projeto, As Aventuras de Pi, ter sido imensa. O que trouxe a tona mais uma vez o debate sobre o uso de efeitos visuais e/ou especiais (do inglês Visual F/X) em grandes produções. É fato que Bill Westenhofer tentou trazer isso a tona na entrega de seu "prêmio", no entanto, fora imensamente censurado como sempre acontece quando se está no tapete vermelho.

O Tigre foi eleito como um dos melhores efeitos da História do Cinema
No entanto, a verdade não escapa das garras dos internautas, que divulgam suas maneiras de protesto com telas verdes em seus perfis. Mas por que uma empresa de efeitos visuais que venceu em uma categoria no mais prestigiado prêmio do Cinema simplesmente vai a falência? Acredito que essa questão se inicia na época em que o cinema apenas engatinhava para o sucesso.

O ramo de efeitos especiais e visuais existe desde os primórdios da Sétima Arte, com George Méliès sendo o motorista da revolução visual. Conforme os anos se passavam, Hollywood montava seu panteão de deuses com filmes como O Nascimento de uma Nação, Luzes da Cidade, de Chaplin, Casablanca e vários outros onde o roteiro denso e atuações importavam muito mais do que efeitos visuais como os de Méliès. No entanto, com o surgimento das grandes guerras e o desenvolvimento massivo da indústria cinematográfica para propaganda, fazia-se necessário um cinema mais imponente. Ousado. Perigoso. Isso fez com que muitos diretores e produtores pensassem: será que vale a pena arriscar a vida de atores/dublês em filmes?

Existe até mesmo um relato que conta como um dublê foi acidentalmente cortado ao meio por uma hélice de helicóptero que o atingiu por acidente durante uma explosão. Foi aí que os efeitos visuais/especiais entraram em cena: para reduzir custos - afinal, custear um enterro de alguém famoso não deve ser fácil - e aumentar a segurança durante gravações. No entanto, de uns tempos para cá, toda e qualquer produção possui um efeito visual de "tela verde" (ou Chroma Key, para sermos técnicos), onde os atores realizam suas atuações em um cenário com um fundo verde e todos os detalhes são inseridos na pós-produção, seja uma cidade inteira, rodovias, a cidade abaixo de um edifício bastante alto... Os efeitos estão lá para enganá-lo e surpreendê-lo, pois o poder dos efeitos é tamanho que podem ser capazes de simular qualquer cidade que quiserem, dispensando qualquer tipo de locomoção extra que gere mais gastos.

Sparta anda meio azul hoje em dia
O que nos remete aos profissionais de VFX, que trabalham muitas horas por dia criando estes magníficos efeitos e em grande parte são mal-remunerados por seus esforços pelo simples fato de seus empregos parecerem fáceis. "Ah, dê a ele uma máquina mais rápida e ele trabalhará mais rápido", assim pensam os contratantes que, de certo modo, acabam vencendo com apenas esse argumento, afinal, quem não gostaria de ver seu trabalho glorificado nas telas de Hollywood? "Tô ganhando mal, mas pelo menos, mando bem no meu trabalho!". E assim, os criadores de conteúdo visual/especial acabam desvalorizando seus empregos e seus serviços com tal atitude. A falência de mais estúdios pode ser iminente. A qualidade visual de filmes sempre se manterá alta, pois Hollywood sempre dá seu jeito de passar por dificuldades. No entanto, talvez isso seja um sinal de que nem tudo precisa ser impecavelmente construído para fascinar com explosões ou cenários futurísticos perfeitos. Às vezes, tudo que se precisa é um bom roteiro, bons atores, alguns efeitos e, quem sabe, boas maquetes e maquiagens como em Star Wars Episódio IV. E, principalmente uma história para contar. E então, irá tomar partido da causa dos produtores de VFX?

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